Futebol

Rui Gomes da Silva: “O Benfica não precisa de gente para quem o clube significou zero toda a vida”

O antigo vice-presidente e candidato às eleições do clube escreveu no seu blogue Novo Geração Benfica: “O Benfica não precisa de aprendizes de feiticeiro, de comentadores especialistas em tudo, mas que do mundo do futebol sabem zero. Muito menos precisa de gente para quem o Benfica significou zero durante 20 anos (ou toda uma vida), ou de quem se lembrava do Benfica para fazer negócios mas se esquecia do Benfica para pagar quotas de sócio. O Benfica precisa de benfiquistas que apostem no sucesso do clube e não de quem planeia campanhas mediáticas a apostar na derrota do Benfica em campo. O Benfica constrói-se e ganha-se com ideias e não com o insucesso do clube”.

“Submeti-me às regras estabelecidas por Luís Filipe Vieira (sim, por ele) para essas eleições, apesar de as achar antidemocráticas, típicas de uma ditadura e manipuladoras da verdade. Mas todos nós (candidatos) sabíamos, de forma clara, que o voto físico não seria contado e que o resultado eletrónico não seria… auditável. E como aceitei que o meu nome estivesse no boletim de voto, aceitei o resultado que nos foi apresentado na madrugada das eleições”.

Veja o texto:

“Enquanto não alcances

Não descanses.”

(Miguel Torga – Diário XIII)

O Sport Lisboa e Benfica tem 117 anos.

117 anos de História construída com o trabalho de milhões de adeptos, de atletas, de dirigentes, unidos num único objetivo: tornar o Sport Lisboa e Benfica num clube de uma dimensão ímpar em Portugal, na Europa e no Mundo, cumprindo o espírito fundador de Cosme Damião e dos que o acompanharam, naquele dia de 1904, na Farmácia Franco.

Dediquei uma enorme parte dos últimos 4 anos, até ao passado mês de Outubro, a expor aos benfiquistas aquilo que achava não defender o interesse superior do Clube e a apontar caminhos diferentes daqueles que Luis Filipe Vieira defendia.

A recuperação do domínio do FC Porto era uma realidade, quer em campo, quer fora dele, sendo, por isso, urgente seguir outro caminho, ter outra mentalidade, para que o Benfica recuperasse a sua posição natural: liderante em Portugal e muito importante na Europa.

Submeti-me – há, portanto, quase sete meses – a eleições com uma equipa, com ideias, com um projeto, tudo dado a conhecer num programa do que queríamos para o Benfica do futuro.

Não cedi um milímetro naquilo que entendi e continuo a entender ser a defesa do Benfica.

As minhas intenções foram claras, transparentes e guiadas pela consciência de 62 anos de vida, de benfiquismo e de sócio. Dei e dou a cara pelas minhas ideias.

Submeti-me às regras estabelecidas por Luis Filipe Vieira (sim, por ele) para essas eleições, apesar de as achar antidemocráticas, típicas de uma ditadura e manipuladoras da verdade.

Mas todos nós (candidatos) sabíamos, de forma clara, que o voto físico não seria contado e que o resultado eletrónico não seria… auditável.

E como aceitei que o meu nome estivesse no boletim de voto, aceitei o resultado que nos foi apresentado na madrugada das eleições.

A partir daí, fiquei em silêncio para que a direção eleita pudesse mostrar o que queria fazer de diferente, apesar de eu não acreditar em mudanças de alma de quem, nos últimos anos, teve tudo na mão para levar o Benfica mais além e preferiu salvar… o FC Porto.

Um silêncio cumprido escrupulosamente, para que não houvesse nada a apontar a mim ou a quem esteve comigo naquelas eleições de Outubro.

Mas com a época desportiva terminada, não há como deixar passar em claro que o plano de colocar o Benfica de joelhos para o entregar a um qualquer “investidor” está em plena marcha.

Não me resta outra opção que não defender o Benfica, para que, um dia destes, não deixe de ser nosso!

Luis Filipe Vieira tem uma estratégia que passa por fazer do Benfica uma plataforma de negócio e não um Clube desportivo vencedor em Portugal e na Europa.

Na final de triste memória de domingo, contra o Braga, jogamos com 2 portugueses no 11 titular.

Depois de dezenas e dezenas de milhões de euros enterrados em obras sem fim no Seixal, e com planos de construir mais campos, eis que, afinal, a formação serve apenas para vender e não para tornar o Benfica mais forte.

Avisei durante meses de que Rúben Dias seria vendido.

De que não seria o capitão do futuro Benfica, apesar das mentiras propaladas pela comunicação do Benfica, “mandadas meter” por quem sabia que isso era falso!

Porque o Benfica é gerido por quem não tem qualquer paixão pelo Benfica … por quem só vê euros em vez de vitórias.

Por isso o Seixal é um entreposto de pagamento a empresários e não uma fábrica de talentos para o Benfica.

Por isso Ruben Amorim virou as costas a essa gente (e não ao Benfica), não ficando para ser pau mandado de quem não tem o interesse do Benfica no coração.

Como de forma solitária o fui dizendo durante quase 4 anos, Luis Filipe Vieira só tem um único objetivo: sobreviver pessoalmente com a “bóia” enorme que é o nosso clube.

Por isso sacrifica tudo, mesmo o Benfica, para tentar que os poderes estabelecidos no futebol o ajudem a manter-se “vivo” por aqui.

Todos ouvimos – nos últimos dias – o presidente do Novo Banco destacar que Vieira e o seu aval valem … por ele ser presidente do Benfica.

Quantas vezes eu o disse nos últimos anos, enquanto os “notáveis” das colunas de opinião assobiavam para o lado?

Quando contestei a OPA vergonhosa, quantos dos “notáveis” não vieram defender esse assalto aos cofres do Benfica como “muito bom”?

Tudo o que infelizmente temi que pudesse acontecer, está a acontecer.

A época desastrosa, a venda dos melhores jogadores, os gastos milionários em transferências e com custos diferidos para o futuro, o desastre que foi a contratação de Jorge Jesus … tudo, infelizmente, aconteceu.

Para defender o Benfica do futuro, ou mesmo para que o Benfica tenha futuro, há pontos inegociáveis, que importa recordar para memória futura.

Assim,

1) Manter o controlo da SAD

Recusar, de forma intransigente, qualquer “Messias” ou “Investidor institucional” que apareça a prometer uma qualquer aposta financeira no Benfica, em troca do controlo da SAD ou de uma fatia substancial das ações, nas mãos do Benfica por razões estatutárias.

É um imperativo de consciência.

Tanto como pugnar para que os que obtiveram posições relevantes na SAD devolvam ao Benfica essas ações, recebendo o valor que despenderam na aquisição das mesmas e sem lucros à custa de “amizades”.

2) Direitos televisivos com respeito pela grandeza do Benfica

Há uma negociação nas costas dos benfiquistas para a centralização dos direitos televisivos, mesmo antes do fim dos contratos em vigor.

Essa negociação deveria ser liderada pelo Benfica, como principal clube e originador de maiores audiências em Portugal.

Só assim se poderia defender uma centralização que visasse maximizar os valores para todos e não retirar ao Benfica o que é do Benfica para dar aos outros, em especial ao FC Porto, e, a partir de agora, também ao Sporting (tanto o ajudaram para servir de lebre na venda da maioria da SAD que agora vão ter que o aturar, sem qualquer agradecimento).

Na verdade, essa negociação está a acontecer, de forma a que iremos ficar presos durante anos a um contrato que servirá para dar mais poder aos mesmos que nos tiveram na mão durante 10 anos.

3) Relações com empresários e intermediários

O Benfica não pode estar submetido a interesses que não os do Clube.

Mas – infelizmente – está.

Por isso vimos sair João Félix e pagámos comissão por um jogador que supostamente não queríamos vender e saiu pela cláusula de rescisão.

Por isso Ruben Dias tinha mesmo de sair, porque a decisão não foi do Benfica.

O Benfica, para voltar a ser grande não pode estar sujeito aos empresários nem alimentar intermediários.

Quer dos que vendem jogadores, quer dos que pagam campanhas!

E isso não pode ser conciliável com um Seixal com uma dimensão controlada – e não para os construtores ganharem dinheiro – onde os melhores fiquem senão toda uma vida, pelo menos o tempo suficiente para ajudar o Benfica a ser forte.

4) Democratização do Benfica e dos Estatutos

Como defendi – sozinho durante muito tempo – qualquer votação no Benfica deve voltar a ser feita pelo recurso ao voto físico, presencial, muito especialmente quando se tratar de eleições, realizadas a duas voltas, quando com mais de 2 candidatos, se necessário, de forma que o Presidente eleito tenha a maioria dos votos depositados e contados.

Não contados sem ser depositados nas urnas!

Qualquer exceção – numa qualquer situação pontual e não eleitoral – deve ser levada a cabo através do site, com recurso ao login pessoal do sócio, e sempre com auditoria externa e independente.

Tudo a incluir numa revisão de Estatutos que altere as regras da capacidade eleitoral passiva e que impeça a antecipação de receitas além do mandato corrente.

5) Nova Administração, com novos responsáveis em todas as áreas da SAD

Defendi a necessidade de uma nova administração, abrindo apenas uma exceção quanto a uma possível conversa com Rui Costa sobre o seu grau de compromisso com o Benfica e com um projeto diferente e de futuro.

Mas mesmo essa exceção não faz hoje qualquer sentido.

Rui Costa quer ser parte do problema e não da solução.

Por isso o seu contributo na gestão do Benfica, se é que existe, deve terminar com a saída de Luís Filipe Vieira.

6) Treinador de futuro, respeitado e ambicioso

Para termos uma equipa para a Europa, temos que ter um treinador com dimensão ou capacidade de lá estar.

Para isso, temos de procurar um treinador virado para o futuro e não para o passado.

Como é óbvio, o atual treinador não preenche esses requisitos, apesar de a sua equipa técnica custar o mesmo ou mais que muitos treinadores da Europa do futebol.

7) Uma Comunicação e uma BTV ao serviço do Benfica

Como se nota desde 1 de janeiro, não adianta mudar caras quando o objetivo da Comunicação do Clube é apenas um: defender Luis Filipe Vieira.

Os órgãos de comunicação do Clube e a BTV devem estar ao serviço de todos os benfiquistas, da promoção do benfiquismo e para combater a opinião formatada, parcial e dependente de poderes que, por vezes, ataca os interesses do nosso Clube.

Não para combater quem pensar de forma diferente de quem manda ….

8) Um Presidente corajoso, benfiquista e capaz de guiar o clube em tempos difíceis

Coragem, benfiquismo e, acima de tudo, ser capaz de “dar o corpo às balas” em tempos difíceis, eis o que este presidente não mostrou nos últimos 4 anos.

O Benfica precisa de um Presidente que não pactue com os poderes decadentes que permitem ao FC Porto a impunidade no discurso contra o futebol ou contra a verdade desportiva.

O Benfica precisa de um Presidente que coloque o Benfica acima dos seus próprios interesses em todos os momentos de decisão do futebol português.

O Benfica não precisa de um Presidente que deixa tudo nas mãos de outros, não benfiquistas, prejudicando assim o nosso clube.

O Benfica não precisa de Presidentes que dependam ou sejam coniventes – por todas as razões – dos interesses que protegem os nossos adversários ou quaisquer empresários.

O Benfica não precisa de aprendizes de feiticeiro, de comentadores especialistas em tudo, mas que do mundo do futebol sabem zero.

Muito menos precisa de gente para quem o Benfica significou zero durante 20 anos (ou toda uma vida), ou de quem se lembrava do Benfica para fazer negócios mas se esquecia do Benfica para pagar quotas de sócio.

O Benfica precisa de benfiquistas que apostem no sucesso do clube e não de quem planeia campanhas mediáticas a apostar na derrota do Benfica em campo. O Benfica constrói-se e ganha-se com ideias e não com o insucesso do clube.

O Benfica precisa de um Presidente e uma equipa para tempos de incerteza, e não de novos-ricos que só sabem gastar em tempos de “vacas gordas”, que são mestres em reestruturações, mas não em pagar e honrar os seus compromissos.

Por mim… sócio – e apenas sócio – do Benfica … sem qualquer protagonismo, aposto no futuro… por continuar fiel ao sonho, de forma que o sonha possa ser realidade;

Com benfiquistas ao leme, com valores inegociáveis, contra os interesses que se servem do Benfica, para que não continue a ter razão antes do tempo!

Livre e de consciência tranquila, pude sair.

Há quem não possa!

A esses… tem que ser o Benfica a mandá-los embora ou a nem sequer os deixar entrar no próximo assalto ao poder.

Pelo Benfica!!!

Rui Gomes da Silva”

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo